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8. Há necessidade de prescrição de medicação sistêmica antibiótica nos casos de abscesso dento-alveolar agudo na fase evoluída?
A fase evoluída do abscesso dento-alveolar agudo caracteriza-se pela presença de dor, muitas vezes difusa, acompanhada de edema e aumento de tecido mole intrabucal ou facial. O paciente relata histórico de dor pregressa, sugerindo episódios de maior ou menor intensidade, geralmente não cessante com analgésicos. Caso o paciente apresente histórico de doenças sistêmicas preexistentes, tais como diabetes, febre reumática, AIDS, coagulopatias, infecções recorrentes ou ainda seja portador de próteses cardíacas (como válvulas artificiais), recomenda-se profilaxia antibiótica previamente ao procedimento de drenagem. A operatória endodôntica consiste basicamente em uma tentativa de drenagem via cirúrgica, antecedida pela abertura coronária do dente envolvido, acesso foraminal e medicação intracanal. A execução de uma incisão no tecido relacionado ao edema, ocorrido em circunstância do desenvolvimento e difusão do abscesso apical para o osso medular, tende a promover a drenagem do exsudato purulento. Realizada a drenagem (com ou sem colocação de um dreno), o operador deve analisar clinicamente a situação de debilidade do paciente para determinar a necessidade ou não de prescrição antibiótica. Alguns sinais são claramente perceptíveis que o normal equilíbrio entre a doença e o hospedeiro não está atendendo a necessidade de recuperação do organismo, sendo os mais evidentes da disseminação da infecção prostração, febre, astenia, linfadenite, celulite, trismo, mal estar, entre outros. Nestes casos recomenda-se a administração da dose inicial de ataque 30 a 45 minutos antes da intervenção, levando em conta o ideal momento de nível sérico da droga recomendada. A sustentação da medicação antibiótica deve ser de acordo com a resposta orgânica do paciente, sendo recomendável, após a cessação da sintomatologia e recuperação da normalidade tecidual, manter-se por 48 horas a medicação antibiótica.
ANDRADE, E. D. Terapêutica medicamentosa em Odontologia. Artes Médicas, 160-6, 1998. SOUSA, E. L. R. Estudo bacteriológico dos abscessos periapicais. Tese de mestrado, Faculdade de Odontologia de Piracicaba, UNICAMP, 2000. SOUZA FILHO, F. J. et al. Drenagem de abscessos periapicais. In: CARDOZO, R. J. A.; GONÇALVES, E. A. N. Endodontia. Trauma. Artes Médicas, 127-9, 2002. |